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Sexta-feira, Março 25, 2005
Mais ou menos "300 toques"*
"Frase feita" do cancioneiro popular: "amigo é aquele que está presente em todas as horas, principalmente nas difíceis". Discordo. Há de ser reescrito! Amigo de verdade é o das horas festivas. Têm amigos que gostam de ruminar suas inseguranças, desilusões ou fracassos. Amigo mesmo vibra com seu novo amor e melhor emprego, mesmo que, com isto, este amigo tenha que se afastar de você.
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*300 toques: "febre" atual do mundo blogueiro. Aprendi o que era recentemente. Passar um pouquinho tem problema?
Estou de casa nova:
Samba da Crioula Doida no Blogspot
escrito pela Rê 11:55 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Terça-feira, Março 22, 2005
Águas de Março
(Tom Jobim)
É pau e pedra, é o fim do caminho
É o resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida é o Sol
É a noite é a morte, é o laço é o anzol
É peroba do campo,é o nó da madeira
Cainga candeia, é o matinta pereira
É madeira de vento, tombo na ribanceira
É o mistério profundo, é o queira não queira
É o vento ventando é o fim da ladeira
É a viga é o vão, festa da cumieira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das aguas de março, é o fim da canceira
É o pé é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato uma ponte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe e um prego, é uma ponta e um ponto
É um pingo pingando, é uma conta é um conto
É um peixe é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha e o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro emguiçado, é a lama é a lama
É um passo é uma ponte, é um sapo é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de marçco fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra é um pau, é Joao é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É um passo é uma ponte, é um sapo é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre tersa
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

escrito pela Rê 8:10 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Segunda-feira, Março 21, 2005
Cachaça x Semana Santa
Homenagem que faço aos cachaceiros, que também sabem professar sua fé, nesta semana santa. Tudo isso porque ando feliz da minha vida, fazendo milhares de coisas (mesmo cansada pra "chuchu") e ainda encontrando tempo pra "encher a cara" (4 doses! Fraquinha esa menina!) com os Sambamantes e a "Turma do Zé" no sábado...
Credo do Cachaceiro
"Creio na cachaça boa
Que é pura, imaculada
Um alimento gostoso
Que engorda o camarada
E a qual foi concebida
No alambique e e vendida
Na bodega, engarrafada
Nasceu da puríssima cana
Sofre e foi maltratada
Sob o poder da moenda
E numa cuba derramada
Ali ela padeceu
Ao alambique desceu
Aonde foi sepultada
Na caldeira ela sofreu
E já no terceiro dia
Ressurgio do alambique
veio quente e ficou fria
Subiu ao céu da boca
E com ansiedade louca
Só bebo em grande quantia
Hoje ela vive na pipa
E há de vir alegrar
Os grandes e os pequenos
Na hora que for tomar
Creio que ela é famosa
Porque cachaça gostosa
É um pecado enjeitar
Creio no espírito dela
E na santa safra que vem
Na comunicação dos tragos
E dos pileques também
Na remissão das "bicadas"
Na confusão das "lapadas"
E na ressaca eterna, amém."
escrito pela Rê 6:05 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Sexta-feira, Março 18, 2005
ALINE *
(Christophe)
J'avais dessine sur le sable
son doux visage
qui me souriait
Puis il a plu sur cette plage
Dans cet orage elle a disparu
Et j'ai crié, crié, Aline! Faut qu'elle revienne
Et j'ai pleuré, pleuré, oh j'avais trop de peine
Je me suis assis auprès de son âme
mais la belle dame c'était enfuie
Je l'ai cherchée sans plus y croire
et sans un espoir pour me guider
Et j'ai crié, crié, Aline pour qu'elle revienne
et j'ai pleuré, pleuré, oh j'avais trop de peine
Je n'ai gardé que ce doux visage
comme une épave sur le sable mouillé
Et j'ai crié, crié, Aline! faut qu'elle revienne
et j'ai pleuré, pleuré, oh j'avais trop de peine
Et j'ai crié, crié, Aline! faut qu'elle revienne
Et j'ai pleuré, pleuré, oh j'avais trop de peine
Et j'ai crié, crié, Aline! faut qu'elle revienne
et j'ai pleuré, pleuré, oh j'avais trop de peine
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* Música que inspirou a mamãe da crioulinha aqui a nomeá-la.
Aline
(Christophe)
Eu desenhara
Sobre a areia
Seu doce semblante,
Que me sorria.
Mas choveu
Sobre a praia,
E naquela ventania
Desapareceu...
E eu gritei, gritei, Aline!
Precisando que ela retornasse,
E eu chorei, chorei,
Oh! sentia tanta dor!
Sentei-me
Junto a sua alma,
Mas a bela dama
Desvanecera-se.
Eu a procurei
já sem acreditar,
e sem uma esperança
que me guiasse.
E eu gritei, gritei, Aline!
é preciso que ela retorne,
e eu chorei, chorei,
Oh sentia tanta dor!
Não consegui guardar,
Senão aquele doce semblante
Como um destroço de naufragio
Sobre a areia molhada.
E eu gritava, gritava, Aline!
é preciso que ela retorne,
E eu chorei, chorei,
Oh! eu sentia tanta dor!
escrito pela Rê 9:29 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Quarta-feira, Março 16, 2005
Como juntar a alegria de um encontro com meu novo amigo francês, o poeta que tenho como mestre (grande compositor e, ainda por cima, psiquiatra) e a lembrança de alguém que já se chama "saudade"?
SAINDO À FRANCESA
(Moacir Luz/Luiz Carlos da Vila/Aldir Blanc)
Gordo, ligaram pra mim sobre a hora do enterro
foi trote, isso tudo não passa de um erro
me encontra com o riso de sempre no bar
Eu quero esclarecer esse mal entendido
e vê se não falta, eu tô meio fodido
a gente vai ter muito que conversar
coisa e tal, patati, patatá.
Gordo, eu hoje só volto pra casa bem tarde
o papo vai ser do Romário ao ECAD
passando por muita mulher
que sem elas a gente não vive
e discutir a importância da velha amizade
redimensionar a palavra saudade
é nela que tudo o que amei sobrevive.
E quando eu for ao banheiro dar uma mijada
sai sem despedir, sem boa noite, sem nada
Ô Gordo maluco, quem mandou me abandonar
no dia seguinte vou telefonar
e xingo quem te pariu
o palavrão fica só na intenção
alguém vai dizer que o gordo saiu.
Ah! vou te procurar num montão de espelunca
e só descansar no dia de São Nunca
se Deus confessar que meu Gordo dormiu, dormiu.
escrito pela Rê 12:56 AM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Domingo, Março 13, 2005
"Outras vantagens do coração que anuncio,
Chaves na hora e já entrego vazio."
(Roubei lá do blog do Serginho)
escrito pela Rê 8:53 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Findadas as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, voltemos à realidade de milhares de mulheres!

escrito pela Rê 6:58 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
No melhor "estilo" Iyanla Vanzant, Osho ou Roberto Shinnyashiki...
(Renata pediu para que eu postasse por aqui)
"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente.
Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém".
E é porque eu fui ontem ver meus queridinhos do Sururu na Roda, no Rio Scenarium, pelo Silvio tê-la cantado ontem e porque tenho ouvido bastante o CD da Mart´nália, que tem esta música no repertório, que eu posto a letra seguinte (com direito a um "parêntese" de Mart´nália).
Tudo, Menos Amor
Martinho da Vila / Monarco
Tudo, que quiseres te darei, ó flor!
Menos meu amor
Darei carinho se tiveres a necessidade
E peço a Deus para lhe dar muita felicidade
Infelizmente só não posso ter-te para mim
Coisas da vida... é mesmo assim
Embora saiba que me tens tão grande adoração
Eu sigo a ordem e esta é dada por meu coração
Neste romance existem lances sensacionais
Mas te dar meu amor... Jamais!!
Mas te dar meu amor... Jamais!!
A gente ama verdadeiramente uma vez (por semana!!!)
Outras são puras fantasias, digo com nitidez
Mas uma história de linguagens
Sensíveis e reais
O que quiseres, mas o meu amor... Jamais!!
escrito pela Rê 10:48 AM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Quinta-feira, Março 10, 2005
As Sandálias do Pescador
Nos últimos dias, com a sucessão de internações-altas, que tenho acompanhado pelos jornais, do Papa João Paulo II, me recordei do livro de Morris West, "As sandálias do pescador". Em "As sandálias do pescador, escrito em 1963, West, que foi seminarista e por muitos anos correspondente no Vaticano, mergulhou nos bastidores da capital do catolicismo para contar a história de Kiril Lakotam um arcebispo ucraniano que lutou contra a ocupação nazista e sofreu os horrores do stalinismo antes de ser eleito papa. Conhecendo bem a realidade sobre a qual escrevia, West desvendou as intrincadas manobras políticas para a escolha do sumo pontífice e fez reflexões profundas sobre o catolicismo em um romance marcante, que acho até que virou filme. Estive bem próximo do Papa, em sua visita ao Brasil, em 1997. Cantei no coral de jovens que o acompanhou em todos os eventos! Pessoa iluminada, não tenho como descrever a sensação de estar próxima a ele...
Voltando às "sandálias...", lembrei do livro porque fiquei sabendo de um "bolão" que está acontecendo pela internet. Quem substituirá Karol Wojtyla?
Quem lidera as apostas é o arcebispo de Gênova, Dionigi Tettamanzi, um conservador em assuntos teológicos, admirador da Opus Dei, mas um crítico da globalização e das políticas neoliberais do G-8. O que é uma contradição só em aparência.
Depois do longo papado de um polonês, muita gente acredita que o Colégio de Cardeais retorne à tradição de papas italianos.
A pinta de João XXIII, conta pontos em favor de Tettamanzi, que está pagando 5/2.
Mas a surpresa, ou ao menos para o público leigo, é a presença do cardeal nigeriano Francis Arinze, em segundo lugar no ranking de apostas, pagando 3/1.
Bobagem. Nada mais pop que um papa negro para suceder João Paulo II. Há quem afirme que o Papa, que escolheu 122 dos 132 cardeais com direito à voto no Conclave, manobrou o quanto pôde nesse sentido.
E Arinze, sem dúvida, é pop. Nasceu numa tribo Ibo e converteu-se ao cristianismo aos nove anos, pelas mãos do monge cisterciense Cipriano Tansi.

escrito pela Rê 4:25 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Quarta-feira, Março 09, 2005
(devaneios, sem título, desta última noite)
Se todo artista tem
uma musa inspiradora
Não sei responder
Quanto a mim,
tenho a você
Se todo caso de amor
tem um triste final
Difícil dizer
O meu,
não foi com você
Se todo bem
um dia vence o mal
Tentam saber
Sem fé,
desisti de crer
escrito pela Rê 4:41 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Terça-feira, Março 08, 2005
Marcos do desenvolvimento
Neste último mês, enquanto faço meu internato em Pediatria, o que mais a "experiente" mulher aqui tem feito é orientar às mamães que, embora exista um marco cronológico em que esperamos que um bebê sente, engatinhe, fale ou ande, um pequeno desvio na faixa etária é considerado normal.
Fácil falar, na prática...
Domênica até hoje não latiu. Será que ela tem algum problema?
Dia Internacional da Mulher
O dia é nosso, mas gostaria de fazer minha homenagem àqueles que nos "suportam" (no sentido de dar suporte mesmo): os HOMENS! Àqueles que fazem a diferença e que, "se todos fossem iguais a vocês", não haveria necessidade de comemorarmos um dia só nosso, de reinvidicarmos direitos iguais, etc..., e "que maravilha seria viver"!
PARA UMA MENINA COM UMA FLOR
Vinicius de Moraes
Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.
(Coisa boa de se ler nesse dia!)
Ganhei de Itaniel (cunhadinho querido), no dia de hoje:
Mulher companheira, mulher amiga, mulher irmã... todos os dias somos amados... aconselhados... ouvidos por vocês. Não importam as horas mal dormidas pelo trabalho ou pelo estudo....
Não importa o quanto ocupadas vocês estejam ... seja cuidando de contratos e de notas fiscais... seja canalizando energias para vencer os últmos períodos de faculdade... seja lidando com alunos dia e noite afora....
...ou simplesmente lutando pela sobrevivência, vocês têm sempre um sorriso aberto que ilumina nossa alma e nos enche de esperança para poder seguir nas caminhadas que tomamos na vida.
O dia de vocês é eterno pois o agradecimento do amigo, do irmão, do companheiro e cúmplice também é eterno !!!
Obrigado por vocês existirem!!!
(Fragmento do e-mail de Itaniel Figueiredo de Albuquerque, vulgo "Ita")
escrito pela Rê 6:36 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Segunda-feira, Março 07, 2005
Irmã temporã
Aos 25 anos de idade, recebi a notícia que ganharia uma "irmãzinha". Domênica chegou ontem à tarde e já ganhou status de "rainha do lar"; a petiz está cheia de mimos. E, como boa irmã mais velha que sou (ouve bem essa, Renatinha!), ontem já dei provas do meu afeto: a bichinha veio sem comer nada e passou a tarde inteira sem comida alguma. Na minha geladeira só havia os restos mortais do churrasco, quando fui almoçar (às 16h!), ela ficou me olhando com cara de fome - o quê fazer? Não pensei duas vezes, dividi "justamente" o que tinha: ela ficou com a carne e o arroz e eu... com o vinagrete e a farofa!!!
Mamãe correu para avisar à vizinhança que a casa ganhou novo hóspede, com direito a troca de "receitinhas" com a vizinha de como dar banho, comidinha, levar ao "dr."... Troca justa que ela fez: Rafael e Renata sairam de casa e foram substituídos por Domênica! Quando cheguei em casa, encontro mamãe na rua conversando com tia Ana e a petiz brincando com suas "amiguinhas", "filhas" da vizinha da casa em frente. E a notícia de que ela tinha aprontado alguma nas minhas coisas. Pensei logo "destruiu alguma sandália", mas que nada, tinha é feito cocô em meu quarto! Minha mãe acha que foi saudade do meu cheiro, por eu ter dormido fora de casa hoje. Mãe sempre encontra um jeito de justificar as besteiras de seu filhos, né?
Bonitinha igual à irmã, né?

escrito pela Rê 6:30 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Quinta-feira, Março 03, 2005
Sobre a minha "mania de ser neguinha"
Amigo Ítalo, parceiro de horas a fio ao telefone, sobre os temas mais absurdos que vocês possam imaginar, veio com essa hoje para mim: "você e essa sua mania de ser neguinha". Ô, rapaz, olha bem pra essa lapa de beiço que tenho e o pandeirão! O problema é que não pego mais sol e aliso o cabelo! RS! E o problema maior ainda é que o rapaz me conheceu quando eu era uma "menina de Deus" e essa conversão repentina ao "samba" lhe assustou. "Quem canta reza duas vezes", não era assim que a Mãezinha lá do Belém falava, nego? Então, o samba "é o grande poder transformador".
Explicações para a irmã da neguinha: Renatinha, meu anjo, pra você escrever aqui, basta clicar no "dito assim parece à toa". E, se você fosse, alguma vez, a uma roda de samba comigo, saberia também que isso é trecho de uma música, mas... Te amo mesmo assim, e vê se alguém duvida diante dessa imagem?
Mas nem posso reclamar: no último sábado, a irmã da crioulinha se revelou. Olha só pra isso aqui:
E não é que a "roda" familiar se firmou. A idéia era juntar os músicos da família Rangel para fazer uma "baguncinha". Tio Washington trouxe o baixo...
...Juninho, a guitarrra...
...Marcos juntou-se à família...
... e Flávio emprestou a voz.
Mas quem arrasou mesmo foi esse trio aí; olha só a emoção ao cantar de mamãe! O "mestre-de-cerimônia" Paulinho (que me emocionou ao cantar "o samba fez milagre/ reabriu meu coração para a Portela entrar...") e tia Deise também arrasaram, mas não sairam nas fotos...
(Papai, mamãe e tia Telma)
A "roda" teve até direito a cabrochas...
...Porque no final tudo acabou em samba!!!
O negócio ficou tão bom, que decidiram fazer outro "show" neste sábado. O problema é que só tem profissional na família tocando, mas os cantores... Juninho pediu para ensaiar aqui na minha garagem aos finais-de-semana. Fazer o quê, né? Coisa chata ter música de boa qualidade ao vivo dentro de casa, né? Mas como comunicar a eles que tem Portela no sábado? Conseguirei eu estar em dois lugares ao mesmo tempo??? Dá teu jeito, nega! Preciso de um cantor, urgentemente! Marcus, você bem que podia se candidatar, né?
escrito pela Rê 9:47 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Terça-feira, Março 01, 2005
Para quem gosta de rezar na minha cartilha...
O verbo sambar é uma das tentativas de aportuguesar os dialetos africanos. Três das principais etnias angolanas tidas como escravas no Brasil (Bacongo, Kimbundo e os Ombundos) pronunciam o verbo rezar nas seguintes formas: Cuçamba (Bacongos), Oçamba (Ombundos) e Samba (Kimbundos). A palavra samba para os Bacongos é o imperativo do verbo Cusamba e para os Kimbundos é o infinito do mesmo verbo.
A palavra samba teria se originado do ekamba, espécie de ritual religioso africano onde se sacudiam os quadris e o corpo todo, como se tirassem a poeira do corpo e os piolhos das cabeças.
Quando os Bantos queriam falar com Deus ("rezar", "sambar"), faziam uma roda embaixo de um njiango (uma sombra artificial), onde seus tambores soavam o ritmo kitolo (lamentação) e suas mulheres faziam o ekamba. Durante a oração, não era concebível para os Bantos estar sentado ou de joelhos, mas sim dançando, se é que tais movimentos pudessem ser tidos como dança. Entendê-lo apenas como dança seria como deturpar os fatos, quase uma heresia; embora não se possa negar que a perfeição e ardência, com que esses movimentos eram executados, os tornavam bastante sensuais.
A transformação do ekamba em samba deve ter ocorrido há cerca de 450 anos. Embora não haja referências exatas quanto a tempo ou espaço, hoje, facilmente, podemos montar o cenário de como esta "aportuguesação" aconteceu. Possivelmente, algum colonizador tenha visto seus escravos a rezar e a pergunta não teria sido outra, senão: "o que estão fazendo?" - e, como estes não podiam se envergonhar do ato de falar com Deus (= Nzambi, Ngana Nzambi, Nzambi Npungu, Kalunga, Suco, Suco Ngialy, Tata, Otata...), certamente tenham afirmado que "estavam a rezar" e, portanto, "a sambar". Para o senhor, sem sombras de dúvidas, a expressão samba tenha significado dançar, visto que estes faziam o ekamba. Para qualquer ocidental da época, tais gestos não passavam de uma manifestação animalesca, já que não lhes reconheciam como possuidores de alguma cultura. Hoje é identidade cultural brasileira! E minha oração favorita!

escrito pela Rê 9:55 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
Sábado, Fevereiro 26, 2005
Cervantes: o falso e o verdadeiro
Quem escreveu "Dom Quixote"? Para efeitos legais, foi Cervantes. No entanto, dentro do livro, está dito que o autor é um árabe de nome Cide Hamet Benegueli. Há, portanto, para começar, uma dupla autoria. A capa aponta Cervantes, um espanhol. A narrativa indica o tal Cide, que teria achado em Alcalá de Toledo, numa rua de comerciantes de seda, uns papéis narrando, em árabe, as façanhas do tresloucado cavaleiro espanhol. Dupla autoria, dupla nacionalidade ou dupla face da Espanha. Os achados manuscritos estavam misturados com outros numa caixa de chumbo enterrada numa ermida.
Mas esse Cide Hamet não é o único "autor" do Quixote. O livro sugere que é apenas um, entre muitos que narraram as peripécias do Cavaleiro da Mancha. E aí cria-se já uma situação insólita, pois o livro, paradoxalmente, nos leva a desqualificar o narrador árabe, porque "é típico das pessoas daquela nação serem mentirosas". Como acreditar na narrativa de um mentiroso?
Percebe-se que o modo de narrar no "Quixote" desestabiliza, explode a noção cêntrica de autoria. Antes que em 1614 um tal Avellaneda, aproveitando-se do sucesso do livro, lançasse uma falsa continuação do "Quixote" , a estrutura do livro original de Cervantes é já um esperto jogo de espelhos brincando com a idéia de autoria falsa e verdadeira. Não é à toa que na introdução da novela Cervantes declara ser apenas o "padrasto" da obra, criando um simulacro de que outros são os autores do "Quixote". Enquanto livros da época apresentavam nas primeiras páginas poemas laudatórios escritos por escritores reais, na abertura de sua história, Cervantes estampa poemas sobre o "Quixote", que teriam sido escritos por personagens de obras clássicas publicadas antes que o "Quixote" tivesse sido escrito. Assim Amadis de Gaula e Orlando Furioso são tidos falsamente como contemporâneos de Cervantes e surgem como tendo lido a obra de Cervantes antes que ela fosse publicada. E não apenas essas figuras lendárias, mas dentro da própria novela o Quixote encontra dois duques que haviam lido o primeiro volume e conversam sobre a própria obra com os personagens. Assim, em Cervantes, personagem é ao mesmo tempo personagem, leitor e comentador da obra em que está inserido.
Deste modo entramos num jogo de espelhos onde a realidade e a ficção se confundem. Jogo de espelhos, aliás, é uma boa metáfora, posto que foi no período barroco, quando essa obra surgiu, que os espelhos conheceram extraordinária evolução e passaram a ser disseminados nos palácios e residências. Por outro lado, a arte barroca é a arte do "trompe l´oeil", do ilusionismo, do mostra-e-esconde, dos travestismos dos personagens e da ambiguidade. Ambiguidade que começa na dualidade de caracteres que são Quixote e Sancho Pança, e vai se aprofundando, quando nos apercebemos que o próprio Quixote tem vários nomes: Quixote, Quejada, Quesada, Quijana. Há um deslizamento de significados, uma realidade oscilante nos nomes, nas ações e na autoria do livro. Como já se disse, a obra barroca desestabiliza o espectador e o transforma em ator.
E quando, um ano antes de publicar o segundo volume dando continuidade às aventuras de seu personagem, Cervantes foi surpreendido com o surgimento de um "Quixote" apócrifo, escrito por Avellaneda, intensificou ainda mais esse jogo de falsidades e verdades. Ao invés de simplesmente ficar irado, fagocitou a obra do outro. Colocou dentro de seu livro um personagem do livro falso, conversando com seus verdadeiros heróis. É disto que trata um dos capítulos finais, quando Alvaro Tarfe ( do "Quixote" de Avellaneda) defronta-se com os heróis de Cervantes. O Quixote verdadeiro pergunta ao personagem do falso Quixote se ele conheceu mesmo o Quixote. O outro responde que o conheceu e era seu íntimo. O Quixote verdadeiro pergunta-lhe, então, se Alvaro o acha parecido com ele. Nesse irônico confronto entre o falso e o verdadeiro, Alvaro diz que "de maneira nenhuma". E repete o mesmo sobre Sancho, o que deixa este irritadíssimo. O Quixote de Cervantes, então, pondo-se em brios, declara-se como o verdadeiro Quixote e leva Alvaro a um escrivão para que fique registrado que é falso o Quixote da "Segunda parte de dom Quixote de la Mancha, composto por um tal Avellaneda, natural de Tordesilhas".
A partir dos anos 70 vulgarizou-se a citação de um conto de Borges (autor que parece personagem de Cervantes), no qual Borges fala de um tal Pierre Menard que queria reescrever o "Quixote", mas não consegue a não ser copiando-o identicamente. À revelia de Borges, a pós-modernidade tentou se apoderar desse conto para, distorcendo-o, fazer o elogio do falso. Assim, autores incapazes de criações maiores transformam em pastiche aquilo que Cervantes ironizava.
Entre os inúmeros e inesgotáveis temas nessa obra, um dos mais intrigantes é o fato de Quixote, no final, enfermo, recuperar a razão, reconhecer que vivia na fantasia e condenar acerbamente os livros de cavalaria. Sobre isto, pode-se pensar que ele estaria fazendo concessões aos censores religiosos e políticos da época. Quem examina a abertura do livro vê quantas autorizações eram necessárias para se publicar uma obra. Mas pode-se entender também como a última peça que o autor está pregando no seu leitor, para que ele mesmo escolha com quem ficar, ou com o alucinado Quixote ou com razoável Alonso Quijano.
Mas seria talvez pertinente introduzir uma outra via de interpretação. Quando Dom Quixote renega suas fantasias, é de se notar que ele está enfermo e com febre. Estranha febre é essa que faz delirar a razão. Que febre de lucidez é essa, que empobrece a vida e a visão do nosso herói?
Então é legitimo supor que ao afastar-se do sonho e aproximar-se da razão é que o personagem começa a morrer. Por isto, quando ele abomina suas fantasias, os amigos ao pé do leito estranham. E o narrador enfatiza: "Quando o ouviram falar, os três, acreditaram que alguma nova loucura havia se apoderado dele". Portanto, é reciso cuidado também com os surtos racionalistas. Em Quixote, a razão é a véspera da morte.
(Publicado hoje na coluna de Affonso Romano de Sant'anna, no Prosa e Verso)
escrito pela Rê 6:47 PM
Dito assim parece à toa (comente aqui!):
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